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O cenário da educação continuada no mundo e no Brasil.


O cenário da educação continuada no mundo e no Brasil.

Escrito por: Isabela Jabor


O envelhecimento da população e os avanços tecnológicos, em especial a implantação de inteligência artificial e tecnologias de automação nos postos de trabalho, veem alterando o cenário da educação continuada ao redor do mundo. Cada vez mais busca-se incorporar a tecnologia aos processos de formação e desenvolvimento de profissionais, em busca de mais efetividade e engajamento.


Nesse contexto, em diversos países, principalmente nos europeus e nos Estados Unidos, há algum tempo já se fala em conceitos como upskilling (treinamentos para aprimoramento ou atualização técnica), reskilling (requalificação para um trabalho diferente) e lifelong learning (aprendizado ao longo da vida), evidenciando a necessidade constante de aprimoramento profissional. E, ainda, dada a rapidez dos avanços tecnológicos e consequente obsolescência de muitas habilidades profissionais, a educação formal, tradicionalmente mais demorada, vem sendo questionada e ganham força tendências de aprendizagem rápida e focada, como o microlearning, por exemplo (ver artigo específico aqui).


Porém, arrisco dizer que nada acelerou tanto as transformações neste segmento quanto a pandemia do novo coronavírus, resultando na consolidação destas tendências e conceitos também nos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil. Assim como em outros lugares, por aqui, todo o ecossistema – instituições de ensino formal e não-formal, produtores de conteúdo, facilitadores e aprendizes – se viu não só obrigado a implementar ações para sobreviver durante os períodos de isolamento, quanto a acelerar (ou criar) estratégias que estavam previstas para o horizonte de, pelo menos, 3 a 5 anos à frente.


Resultado, estamos começando a ver uma expansão dos cursos livres, cursos de curta duração e EAD (ensino a distância) se utilizando de novas metodologias e formatos, voltados para habilidades específicas, sejam elas hard ou soft skills e que podem ser aplicadas imediatamente no trabalho ou na mudança de rota da carreira – o que tende a se intensificar nos próximos anos.


De fato, mudanças por aqui são mais do que necessárias uma vez que se a educação não mudar, e aqui incluo a educação corporativa, quem perde é a economia brasileira. Segundo a pesquisa 'Lacuna de habilidades 2018', feita pela Udemy, “88% dos profissionais brasileiros em tempo integral dizem que se mudariam para outro país para uma boa oportunidade profissional caso o empregador não fornecesse treinamento para alavancar suas carreiras.”.


Por fim, é claro que o desenvolvimento profissional de uma pessoa não é responsabilidade exclusiva do empregador, pelo contrário, o lado individual é fundamental, diria eu até prioritário neste contexto, e boa parte dos profissionais compreende isso. Em nível global, 81% dos profissionais compreendem que atualizar suas habilidades é uma tarefa individual, e não confiam nas suas empresas para apoiá-los, segundo relatório da Josh Bersin, Tendências para 2020. No Brasil, a prática mostra o mesmo movimento, a pesquisa já citada da Udemy mostra que 46% dos profissionais brasileiros já estão tentando preencher por si mesmos as lacunas de habilidades por meio de capacitação com cursos on-line.


Os desafios para empresas, profissionais, produtores de conteúdo, facilitadores e todos os demais envolvidos com educação continuada são muitos, assim como as oportunidades. Que saibamos, então, utilizar esse momento como alavanca de aprendizagem e novas possibilidades para a nossa sociedade!

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